HISTÓRIA DA CONSTITUIÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA DE MATINHOS.
Organizada em 29/04/2007
A história da Igreja Presbiteriana de Matinhos, pode ser contada como uma verdadeira saga de fé e perseverança, marcada por idas e vindas, por líderes que se sucederam e por uma comunidade que, pouco a pouco, foi se consolidando no litoral paranaense.
Tudo começou em 1996, quando o Presbitério de Curitiba, sob a presidência do Presb. Joel Pugsley em parceria com a Junta de Missões Nacionais (JMN), decidiu lançar sementes de fé em Matinhos designando o primeiro pastor residente, o Rev. Jercino Batista Vieira, que em março de 1997 inaugurou o campo missionário em uma casa simples, cedida pela Srª Lúcia Helena de Aquino Pinheiro. Foi um início humilde, mas carregado de esperança: cânticos, orações e a certeza de que ali nascia algo duradouro.
No dia 28 de abril de 1998, o campo ganhou novo espaço, um salão alugado na Rua Albano Muller, 807. Mas logo o Rev. Jercino foi transferido, e em seu lugar chegou o Rev. Ermélio Ermindo de Azevedo Filho, que assumiu a missão em janeiro de 1999. Nesse mesmo ano, o Presbitério do Tarumã foi criado, mas Matinhos permaneceu sob a responsabilidade do Presbitério de Curitiba, como se fosse um filho ainda em gestação, aguardando o momento certo para nascer como igreja organizada.
Encerrada a parceria com a JMN, os anos seguintes foram de transição: o Rev. Elizeu Eduardo de Souza assumiu em 2001, mas logo partiu para outro ministério. Em seguida, o Rev. Izaías Meireles foi designado e, em abril de 2002, organizou oficialmente a Congregação Presbiterial de Matinhos. Contudo, por motivos de saúde, afastou-se no fim daquele mesmo ano. Então, em janeiro de 2003, chegou o pastor que se tornaria figura central na consolidação da comunidade: o Rev. Valter Augusto Lucats.
Sob sua liderança, a congregação amadureceu, e em dezembro de 2006, a Mesa Administrativa, com apoio do pastor, solicitou ao Presbitério de Curitiba que a congregação fosse organizada como igreja. O pedido foi aceito, e no dia 29 de abril de 2007, às 17 horas, realizou-se a solenidade que marcaria a história da comunidade.
Naquele dia, a comissão formada pelo Rev. Levy Correa de Oliveira, pelo Presb. Rogério Donato Kampa e pelo Rev. Izaías Meireles, conduziu a solenidade de organização que formalizou a IPB de Matinhos. Houve leitura bíblica, cânticos e mensagens de exortação. O histórico da comunidade foi relembrado, e os membros fundadores foram arrolados, constituindo-se como os pilares da nova igreja.
Seguiu-se a leitura e aprovação dos Estatutos da Igreja Presbiteriana de Matinhos, que definiram sua identidade, sua administração e seus princípios. Logo após, a assembleia elegeu seus primeiros oficiais: como presbíteros, Valdeir Dias Ferreira, Armando Valentim da Silva e Cláudio Henrique Stoeberl Filho; como diáconos, José Manoel Beluci e Álvaro Rickli. A ordenação foi marcada por oração e imposição de mãos, um gesto simbólico que selava a responsabilidade espiritual daqueles homens.
Finalmente, houve a instalação oficial do Rev. Valter Augusto Lucats como pastor da Igreja Presbiteriana de Matinhos. A congregação, em pé, manifestou sua aceitação e compromisso com a liderança pastoral. Às 19h30, a sessão foi encerrada com a bênção apostólica ministrada pelo Rev. Izaías Meireles, como um selo espiritual sobre tudo o que havia sido realizado.
Assim nasceu, oficialmente, a Igreja Presbiteriana de Matinhos: fruto de mais de uma década de trabalho missionário, de líderes que se sucederam, de membros que perseveraram e de uma fé que não se deixou abalar pelas dificuldades. Uma história que mostra como a paciência, a cooperação e a devoção podem transformar um pequeno campo missionário em uma igreja viva, organizada e comprometida com o Evangelho.
Depois da organização oficial em 29 de abril de 2007, sob a liderança do Rev. Valter Augusto Lucats, a igreja seguiu sua caminhada, e novas páginas foram escritas. Em janeiro de 2008, assumiu o pastoreado o Rev. Marco Aurélio Gomes, que permaneceu até dezembro de 2009, sendo então transferido para a Igreja Presbiteriana da Cidade Industrial, em Curitiba.
A partir de janeiro de 2010, o campo recebeu o Rev. Herman Neubert da Silva, que pastoreou com zelo até dezembro de 2013. Foi durante esse período que, em 30 de abril de 2011, iniciou-se um ponto de pregação em Guaratuba, sob a responsabilidade da Igreja de Matinhos, conduzido pelo então Evangelista Eulino Silva Souza. Esse trabalho floresceu e, em 16 de janeiro de 2023, tornou-se a Igreja Presbiteriana de Guaratuba, fruto direto da missão de Matinhos.
Em janeiro de 2014, assumiu o pastoreado o Rev. Geremias da Silva Soares, permanecendo até dezembro de 2017. Logo depois, em janeiro de 2018, a igreja recebeu o Rev. Marcos Borba, que serviu até fevereiro de 2022, conduzindo a comunidade em tempos de desafios e crescimento.
No mês seguinte, março de 2022, iniciou seu ministério como evangelista o Rev. Wellington Barsi Rocha, enquanto o conselho era presidido pelo Rev. Eulino Silva Souza. Em dezembro de 2022, o Rev. Wellington foi ordenado pastor e designado para assumir oficialmente a Igreja de Matinhos, permanecendo até novembro de 2025.
Finalmente, em dezembro de 2025, assumiu o pastoreado o Rev. Otoniel Palma, oriundo da IPB Nova Jerusalém de Curitiba, Igreja que pastoreou por 10 anos. Hoje, sua liderança representa a continuidade de uma história que começou há três décadas, e que se renova a cada geração.
Que o Senhor abençoe ricamente o ministério do Rev. Otoniel Palma, concedendo-lhe sabedoria, coragem e amor pastoral. Que a Igreja Presbiteriana de Matinhos siga firme em sua missão, sendo luz no litoral paranaense, e que sua obra missionária continue a frutificar, assim como aconteceu em Guaratuba, espalhando o Evangelho e edificando vidas para a glória de Deus.
“Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua benignidade e da tua verdade”. Salmos 115:1
RELATO DO INÍCIO DA CONGREGAÇÃO EM MATINHOS (1996 – 2001)
Tudo começa em 1996, quando o ano se aproximava do fim e o Rev. Gercino Batista Vieira, então pastor da Igreja Presbiteriana Filadélfia em Telêmaco Borba, sentia em seu coração o chamado para um novo campo missionário. Ele e sua esposa oravam para que, se fosse da vontade de Deus, pudessem servir em outro lugar. Foi nesse contexto que o Rev. Nicanor Pereira de Azevedo, supervisor da Junta de Missões Nacionais, marcou uma entrevista em Campinas, no dia 23 de dezembro de 1996. Pouco depois, veio a confirmação: Gercino seria enviado para um novo campo.
Em janeiro de 1997, o Presb. Wilson José Lopes, presidente da Junta de Missões, comunicou oficialmente sua designação. A partir daí, o Rev. Gercino começou a visitar diferentes cidades e congregações, até que, no final de fevereiro, chegou ao litoral paranaense. Em meio a chuvas e dificuldades para encontrar moradia, conseguiu alugar uma casa em Matinhos. No dia 4 de março de 1997, já instalado como obreiro, iniciou os primeiros cultos e estudos bíblicos, contando com famílias como a de Wilson Quidin de Carvalho e outros irmãos que se tornaram os primeiros apoiadores da obra.
O marco inaugural aconteceu em 07 de junho de 1997, com um culto festivo realizado em uma propriedade da irmã Lúcia Helena de Aquino, na Rua Ponta Grossa. A celebração foi conduzida por pastores como Juarez Marcondes Filho, da IPB Central de Curitiba, e contou com a presença de líderes como o presbítero Dr. Joel Pugsley, Presidente do Presbitério de Curitiba, e vários ministros da região. O culto foi abrilhantado pelo conjunto masculino da IPB Central, enchendo o ambiente de louvor e gratidão.
Vieram assim os primeiros frutos: celebrações da Santa Ceia, batismos e profissões de fé. Em julho de 1998, por exemplo, foi recebida a irmã Roseli de Fátima Rosa da Silva Carvalho, que professou sua fé e foi batizada. Outros nomes aparecem como testemunhas dessa fase inicial: Alberto Fiúza, Ondina Fiúza, Valdeir Dias Ferreira, entre tantos que se tornaram parte da história.
O trabalho cresceu, e em janeiro de 1999 o campo passou à liderança do Rev. Ermélio Ermindo de Azevedo Filho, que deu continuidade às celebrações, organizou a mesa administrativa e conduziu novos batismos e profissões de fé. Entre os recebidos estavam famílias inteiras, como os Paim, os Francisco e os Viana, que fortaleceram a comunidade nascente.
Houve também momentos de expansão missionária: cultos realizados em Shangrilá, participação em encontros da Junta de Missões Nacionais e atividades voltadas para crianças e famílias, como a “Rua de Recreio” em 2000, que reuniu quase uma centena de crianças.
O trabalho presbiteriano em Matinhos nasceu de oração, perseverança e fé. Entre chuvas, viagens cansativas, mudanças e desafios, cada passo foi registrado como testemunho da ação de Deus. O campo missionário, iniciado em 1997, tornou-se uma comunidade viva, marcada por celebrações, batismos e pela dedicação de seus pastores e membros.
É uma história que não apenas documenta fatos, mas transmite o espírito de uma igreja que nasceu pequena, em casas e salões alugados, e que cresceu sustentada pela fé e pela esperança de que o Evangelho floresceria no litoral paranaense.
A caminhada da Igreja Presbiteriana em Matinhos continua marcada por momentos de crescimento, desafios e transições.
No ano de 2000, o campo missionário vivia uma fase vibrante. A 2ª Rua de Recreio reuniu 135 crianças e 45 adultos, em um dia de alegria e comunhão. Logo depois, vieram cultos especiais sobre missões, celebrações da Santa Ceia e até um culto de ação de graças pelo Dia da Independência, onde se intercedeu pelos governantes da nação. Em outubro daquele ano, onze novos membros foram recebidos, entre crianças e adultos, por batismo e profissão de fé — nomes como Amanda Alves da Silva, Carlos Daniel Silva, Alexander Alves da Silva, Lucimara Paiva Gaysler, Andreia Morato da Silva e outros se tornaram parte da história da igreja.
Mas nem tudo foi apenas festa. Em outubro de 2000, alguns irmãos pediram desligamento por não concordarem com a doutrina reformada, preferindo seguir caminhos pentecostais. O campo respeitou suas decisões, abençoando-os em sua partida. Pouco depois, a comunidade enfrentou a dor do falecimento do irmão Elói Rodrigues Rocha, fruto do trabalho de evangelismo e discipulado, cuja despedida foi marcada por culto e oração.
Apesar das lutas, o trabalho florescia. Cultos eram realizados em diferentes casas — na residência do irmão Alberto Fiúza, no bairro Rio da Onça; na casa de Alexandre Santos da Silva, no Mangue Seco; e na casa da irmã Neuzi Viana Serafim, na Rua Curitiba. Em novembro de 2000, mais 15 novos membros foram recebidos, entre eles Mauzi Viana Serafim, Ivone Obregon, Rodrigo Antônio Freire, Edith Rodrigues Silva, além de crianças como Darlan Maicom Silva e Francieli Obregon de Oliveira.
No fim de novembro de 2000, o Rev. Ermélio e sua família encerraram sua participação no campo missionário de Matinhos, entregando-o ao Presbitério de Curitiba. Foi um momento de gratidão: “se não fosse o Senhor, nada disso teria acontecido”, registrou ele.
A partir de 2001, o Presbitério de Curitiba assumiu diretamente o campo, designando o Rev. Elizeu Eduardo de Souza como obreiro. Ele fixou residência na cidade e organizou a vida da igreja com cultos regulares, escola dominical e reuniões de oração. Houve também intercâmbios com jovens de outras igrejas, parcerias com a JOCUM em evangelização e até eventos públicos com filmes e peças teatrais.
Nesse período, a igreja mudou de endereço, passando a se reunir em um salão na Rua Dr. José Arthur Zanlutti, no centro de Matinhos. O trabalho se expandiu com a abertura de um ponto de pregação no Balneário Riviera, na casa dos irmãos Armando Valentim e Adilce Morato.
Foi nesse contexto que, nasceu oficialmente o Ponto de Pregação da Igreja Presbiteriana do Brasil no Conjunto Riviera.
A decisão veio após conversas da diretoria do ponto missionário em Matinhos, que reconheceu a necessidade de levar o Evangelho ao bairro Riviera. O trabalho começou de forma simples com a esperança de que, à medida que crescesse, pudesse alcançar um espaço próprio.
Antes da inauguração, houve momentos de preparação espiritual: em 27 de maio, uma reunião de oração foi realizada pedindo a bênção de Deus para a abertura do novo trabalho. Poucos dias depois, em 30 de maio, outra reunião de oração aconteceu na própria casa onde o ponto seria iniciado. Finalmente, em 06 de junho de 2001, o trabalho foi inaugurado oficialmente, com plena dependência do Espírito Santo.
A celebração contou com a presença de irmãos e convidados, entre eles Cidra da Cruz, Mevelin Pinheiro Galdino, Adriana Morato Batista, Andreia Monoto da Silva, Alexandre S. da Silva, Melany Sartori, Bernadete Terezinha Sartori, Raquel Vilela de Sá Eduardo, Vicente Custódio de Melo, Edina Araújo de Melo, Adele Moura, além do próprio Armando Valentim da Silva e sua família.
A devoção seguiu um roteiro espiritual: leitura bíblica em Mateus 28:16-20, feita pelo irmão Vicente Custódio de Melo; cânticos dos hinos 26, 113, 173, 114 e 315; orações conduzidas pelos irmãos Armando e Edna de Melo; e a pregação ministrada pelo Pastor Elizeu Eduardo de Souza, baseada em Atos 1:8, destacando o poder do Espírito Santo na vida da Igreja.
Após a mensagem, o irmão Armando Valentim tomou a palavra para agradecer a presença dos irmãos e convidá-los a somar forças na obra evangelística no bairro. O encontro terminou em clima de comunhão, com uma confraternização simples: uma pipoca acompanhada de chá, símbolo da alegria e da união que marcavam aquele início.
Com emoção, o Pastor Elizeu Eduardo de Souza entregou aos irmãos o livro de atas que serviria para registrar a história daquele trabalho, confiando que cada página seria testemunho da ação de Deus no Riviera. O versículo tema escolhido foi 2 Coríntios 5:7: “Porque andamos pela fé, e não pelo que vemos.”
Infelizmente, apesar do entusiasmo e da fé que marcaram o início, o ponto de pregação não pôde prosperar. O proprietário do imóvel solicitou a devolução da casa, e a comunidade, ainda pequena e sem recursos para manter outro espaço, viu-se obrigada a encerrar o trabalho. Foi um momento de tristeza, mas também de gratidão: cada culto, cada oração e cada encontro foram sementes lançadas, que certamente frutificaram no coração daqueles que participaram.
Essa narrativa mostra que entre 1996 e 2001, a Igreja Presbiteriana de Matinhos viveu intensamente: recebeu novos membros, enfrentou despedidas dolorosas, abriu novos trabalhos e consolidou sua identidade reformada.
Em Marcos 16:15 Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”. Esse é o chamado que nunca podemos esquecer. A Igreja Presbiteriana de Matinhos nasceu pequena, se organizou, está em crescimento, mas sempre teve diante de si essa missão: anunciar Cristo.
Organização, ministérios, reuniões… tudo isso é importante, mas só tem sentido se servir ao propósito maior: levar o evangelho. Não é tarefa só do pastor ou de alguns líderes, é responsabilidade de cada um de nós.
Se a igreja de Matinhos quiser continuar viva e relevante, precisa manter os olhos fixos nesse chamado. Que cada membro esteja empenhado em falar de Jesus no dia a dia, apoiar os projetos da comunidade e lembrar que a Igreja tem que ser referência de submissão a mensagem do evangelho e ser fiel ao que o Senhor ordenou.
Que nunca nos falte coragem e disposição para cumprir essa missão!
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